Três

Não conhecia a Sara... Pelo menos, fora dos ecrãs e dos ficheiros audio. Fruto de uma amor de Tony e Fernanda, Sara nasceu com o rótulo Carreira, e num "mundo" como Portugal pode ser complicado. Se faz uma coisa bem e tem sucesso é pelo êxito do progenitor e irmãos, se faz algo mal as redes enchem-se de comentários destrutivos. Não conhecia a Sara mas conhecia o seu trabalho, a sua doce voz e os olhos que facilmente estariam na minha lista de "Rostos a fotografar pelo menos uma vez". O seu álbum de estreia está carregado de melodias interessantes, guitarras audíveis (ao contrário do que algumas rádios vão passando), musicalmente evoluída e em evolução, Sara não me pareceu nunca deixar-se levar pelo sucesso do pai, Tony, trilhando (a pulso e muito lentamente) o seu percurso. Não conhecia a Sara mas também sei que por esse mundo fora há Saras que morrem a caminho da escola, de um aniversário, de casa depois de uma noite com as melhores amigas a planear uma viagem de verão. Não conhecia a Sara, o David, o Michael, o Tony, a Fernanda, o Ivo, mas no entanto conheço a forma (tão portuguesa) de fazer de alguém uma rainha ou uma ordinária. Não conhecia a Sara, mas choca-me! Choca-me perceber que vivi já quase mais vinte anos do que ela, e o que ela poderia fazer só o destino saberia. A Sara foi hoje embora, dia 5 de Dezembro, sem vontade de ir. Morreu numa estrada que liga o Norte ao Sul, o Sul ao Norte. Há Pombal e o arroz de tomate, há a formação e a boémia Coimbrã, há Fátima e a fé de um povo, mas nem o mais céptico ou agnóstico entenderá justiça em episódios assim. Não conhecia a Sara, mas creio que se é no céu que a quiseram ter, então a terra (e o mundo - dela, certo!) só têm a agradecer pelos vinte e um anos de sorrisos e olhares cativantes! Francisco Azevedo 2020.12.06 #saracarreira #inmemoriam

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