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Sob os céus do Porto na véspera do São João

Oh meu rico padroeiro Meu nobre São João Leva Junho, traz Janeiro A raspadinha e um milhão

Recados escritos numa folha de papel do café

É só mais uma noite De mãos dadas com a solidão Escrevinho-te à luz da lua Para te deixar uma canção 

Recados escritos numa folha de papel do café

Acreditei nas tuas confissões. Até naqueles dias em que dizias que gostavas das minhas canções! 

Recados no carro da vizinha

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  Já não se encontram vizinhos que nos escrevam cartas no Natal. Agora, o que mais há é vizinhos a deixar recados para "ir estacionar para outra freguesia..."

Rotina da manhã

Há quem acorde com toda a pujança de juventude, mesmo que o bilhete de identidade confirme uma outra versão da história. Porto, 30 de Outubro de 2023 - Campus São João  O mundo lá fora vai correndo, carros vão parando para deixar passar nas passadeiras os próximos doutores e engenheiros. Uma zona que respira juventude, mas também esperança ou adormecer de fé quando se cruzam as portas de um hospital ou do instituto português de oncologia.  Um café quente na Arcádia, uma vista de olhos nos livros da Bertrand, uma senhora de uma instituição bancária tenta meter conversa. São todos os melhores do mercado. Ignoro, dizendo um sonoro não, obrigado. As mesas vão ficando cada vez mais preenchidas, as filas para o galão - quiçá o segundo pequeno-almoço do dia - mas aqui também me é possível encontrar o lado menos adequado do português. Esquecem do maço vazio na mesa, deixam o plástico do novo e os resquícios do jogo que promete uma vida melhor. De vez em quando passo os olhos pelo livr...

Um café à volta dos livros em dia de aniversário. Parabéns Eugénio de Andrade!

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Não podemos deixar assim alguém tão especial à espera. Sugeri que me indicasse data e hora. Escolhera, do outro lado da linha numa secretária atafulhada em papéis e poemas: dia dezanove, às onze no primeiro banco do Jardim de S. Lázaro. Chego antes, deixo o carro no parque levando comigo um bloco, uma caneta e um manuscrito. Terá Eugénio vontade de me ler? Tento, no meio da neblina que faz companhia ao acordar da cidade, encontrar pistas de como será o seu andar, a sua voz que declamava poesia espanhola numa praça de Madrid.  - Francisco, desculpe este meu atraso.  Não olhei o relógio, nem sequer ouvira o tilintar dos sinos, tento colocar a minha voz que se apresente firme:  - Mestre Andrade. Não tem importância.  - Por favor, trata-me por Eugénio.  Estendeu-me uma mão já gasta pelo tempo, no casaco vejo-lhe pêlos de um gato negro.  - Outros valores se ergueram antecipadamente. - Da sua repartição?  - Que ideia! Um poema que me toldava o pensamento....

De mim para ti (alma metade)

Foste a história mais bonita que li. Não foi, confesso, difícil... Viciar-me em ti

Uma questão de vontade

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O projecto 365 é conhecido entre os amantes da fotografia. Como o próprio nome indica, trata-se de publicar uma imagem por dia, ao acaso, a um livro, a uma rua, etc. A fotografia é para mim como parte de um processo diário de purga, além da profissão.  Hoje, almoçámos cedo. Deu tempo para levar o Zuky num passeio diferente, sem perder o mar de vista. Durante uma hora fomos a prioridade um do outro. E que bem que soube!!  O telefone indicou o objectivo de passos cumprido em pouco mais de meio dia. 

Águas mil

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Chove há um ano...  Parece impossível, mas é verdade. Ontem, quando surgiram na televisão as doze badaladas em forma de cerveja (não vou dizer o nome, mas começa por S e B) caíam as primeiras gotas de um ano que tem tudo para ser o princípio do fim... Da guerra!! Por aqui vou continuando a descobrir um pouco mais da história de Portugal, do Reino de Castela, e de porquê Inês ter sido escolhida. Pena, só mesmo ter morrido por amor. 

A primeira música de 2023

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A primeira música que ouvi em 2023 foi da chuva na vidraça. A televisão insiste em trazer aos "directos" projectos em duo ou trio com qualidade duvidosa, mas vai-se a ver e as vendas, ou então, o denominado "sucesso" é estrondoso. Passámos os quatro em casa, como há muito tempo não era reeditado. O Zuky, que hoje celebra cinco (ou seis) anos de idade permaneceu impávido e sereno até ao fogo-de-artifício da meia-noite. A protecção civil bem que desaconselhara horas antes que o pessoal saísse de casa, mas houve oportunidade para ver uns fogos à borla, bem perto, e... Longe da multidão. Fui o terceiro a acordar, primeiro o cão com a trovoada, logo depois a minha mãe para o primeiro pequeno-almoço de 2023. Já não tomava banho há um ano, pelo que depois de um café com leite deixei que a água escorresse pelos cabelos. Por falar nisso, será este ano que vou experimentar rapar o cabelo...  Quando entrei na bomba de gasolina para comprar as primeiras notícias do ano, na rádi...

São João da Madeira rende-se ao sorriso alfacinha

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Crónica de uma noite de homenagem às letras em português de Camões num “cocktail” servido à moda de um clube de Nova Iorque. Mimi Froes é um caso sério, e São João da Madeira rendeu-se do princípio ao fim!  Há vozes que nos obrigam a parar, para num mundo àparte entrar. Novembro trouxe Mimi Froes e um trio que merece palco em clubes de Nova Iorque. São João da Madeira e a Casa da Criatividade fizeram uma excelente aposta. Quem viu Mariana de guitarra no Factor X não se esquece do sorriso, da timidez que lhe conferiu (e de resto, confere) uma certa graça. Mas, ela cresceu! Compôs, viveu, estudou e em canções se há de eternizar. Novembro é tempo das castanhas, dos tons outonais nos jardins das cidades do mundo, e por esta altura, belos são  também os tons ouvidos no auditório da Casa da Criatividade. Alguns segundos depois da hora marcada, surgem em palco três virtuosos músicos: Manuel Oliveira no piano, Rodrigo Correia no contrabaixo e Guilherme Melo na percussão. Um sorri...

Um poema sob a luz da lua

Quero viver um amor  Nem que seja (uma) metade Preciso de viver sem dor  Nem que seja por ser da arte  Quero ver Paris de uma forma  Pelos lindos olhos de alguém  Quero reencontrar em Barcelona  Uma pessoa como tu, também  Quero viver um amor  Não me importo que me faça duvidar  O meu melhor papel  (Em palco) saberei representar  Quero viver um amor  Encontrando assim um sentido  Quero encontrar sem rancor  Num abraço que amarrotarei o teu vestido  Quero um amor,  Um meio que seja  Uma metade já seria bom  Com em Maio uma cereja  Quero ler a melhor poesia  Entendê-la como aquele que a escreveu  Quero muito encontrar um amor  O mundo precisa, assim como eu  Quero encontrar a paz  E um sorriso verdadeiro  Quero descobrir quem sou  Não por metade, por inteiro   

Um dia de cada vez

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Há qualquer coisa de mágico na conjugação de sol e chuva. O arco-íris é um deles, o convite à serena inspiração também. Ontem, o jornal da minha cidade noticiou a iniciativa de auxílio ao povo da Ucrânia por parte de duas jovens enfermeiras. Hoje, de manhã, ao passar por lá, a tenda começava a ser pequena para tão grande generosidade. Foi tocante, ver famílias com crianças a carregar sacos - que normalmente utilizamos nas compras - com comida, roupa, brinquedos, medicamentos, resguardos para Kiev. Fui ao Google maps ver a distância da calma desta imagem ao teatro de operações protagonizado por um lunático: três mil, novecentos e vinte e três. Espinho soube dizer presente. Como em tantos outros momentos. 

Um caderno na capital

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  Ontem, a manhã começou cedo, e quando digo cedo é mesmo praticamente com "as galinhas", galos, pássaros, etc. O meu pai ontem foi à capital do império falar sobre gestão do risco a uma força que o enfrenta diariamente. Há pouco, sentado à mesa de almoço fui ver quantos quilómetros me separavam de Kiev, de minha casa ao centro são quase dois dias de carro, três mil novecentos e vinte e três quilómetros, nós ontem fizemos seiscentos e qualquer coisa, serenos. Paulo Fonseca e mais um grupo de portugueses passaram por uma odisseia de trinta e qualquer coisa horas para voltar a pisar o chão seguro de Lisboa. Consigo, trazia a mulher, Katerina e os dois filhos. Disse, para quem o queria ouvir - não ter pensado sequer na sua carreira de treinador.  Este caderno - na imagem - com tanto daquilo que é português tem já uns anos, e foi, curiosamente, comprado no CCB, em Lisboa. É certo que hoje em dia temos o iPhone ou qualquer outra coisa com notas, mas continuo a ser daqueles que usa...

Um sábado normal

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Hoje, é possível um sábado normal. Jornal lido sem pressa de olhar o relógio, um croissant a recordar a viagem recente a Paris, a primeira pós-pandemia e pré-guerra. Ontem, foi mais um dia de função, em que foi possível conjugar o antigo e o moderno. Acordo com o despertar do cão, dois pisos abaixo, quando a minha mãe saiu para a padaria e tabacaria dos jornais. Um copo de água quente em jejum e recomeço a doce tarefa de fazer um café fresco com leite. Sabe-me pela vida. Entretanto, o Zuky já corre desenfreado pelo jardim. Gostava de ter a mesma energia logo pela manhã e sair de bicicleta sem hora de regresso marcada. Não!! Preciso do meu tempo, dos meus momentos. Uma leitura em dia do jornal da cidade e evito ligar a televisão. Troco as voltas ao meu cão e fazemos o caminho de sempre mas de forma inversa, ele por ele, está sempre tudo bem. Só não quer que me esqueça dele quando vou à rua. Passámos pelo complexo de ténis, está com uma grande dinâmica. Parque automóvel cheio e crianças ...

O frio aperta, na manhã cinzenta

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Fui o primeiro acordar, se não contarmos com o patudo que achou que hoje era mais um dia de acompanhamento de obras. Felizmente, terminaram ontem, e se nada correr mal, não cairá mais água em pontos da casa. Sendo o primeiro a acordar, coube-me descer as escadas devagar, tomar o café com leite do costume, descer as escadas à cave, abrir a porta e ir buscar os mantimentos matinais: pão e jornais. Foi o dia em que demorei menos tempo, pão na Pepim e jornais no Lausanne, uns metros abaixo. Aqueles lugares fazem-me (invariavelmente) voltar atrás no tempo, vivi ali toda a minha meninice e juventude, uma casa tão perto de supermercado, lavandaria, café, escolas, e centro da cidade. As primeiras páginas transcreviam em palavras e fotografias a noite negra vivida pelos lados de Alvalade, um super Manchestern City para um Sporting recém-chegado às fases decisivas da Champions League.  Acordei com vontade de ir fotografar, e, como sempre, de caminhar com o Zuky. Ao ombro coloquei a minha vel...

Um retrato sereno, uma orquestra, uma memória

Gostava que estivessem aqui, de qualquer uma das formas, on-line, presencialmente - isso sim, seria especial. Jantar saboreado, cozinha arrumada, um passeio em véspera de madrugada. Uma conversa telefónica com um amigo, a cidade a adormecer aos poucos. Chegados a casa, o cão é o primeiro a adormecer, mas antes, termina os grãos que deixa sempre para depois do passeio. Hoje, apetecia-me ouvir uma coisa diferente, de ler algo diferente, e que me fizessem um retrato sereno, despercebido, natural. Morro de inveja de quem fica bem ao primeiro clique. Há dias dizia ao Pedro que faz o favor de me acompanhar em serviços fotográficos que precisava de uma fotografia de perfil com o meu chapéu, um olhar sereno e um charuto aceso, com a sua nuvem a fazer-me companhia.  Nunca mais me esqueço, e até me embarga a voz, da memória física do António, grande amigo, gigante músico e um apreciador de charutos. Pouco tempo antes de partir e já depois de vários convites, passei lá por casa no último dia ...

Silêncio, precisa-se!

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Nem parece terça-feira pós dia de S. Valentim, um sol bonito, vento fraco a soprar do mar, quer dizer, acho que era do mar que vinha, quando desci a rua 19 de scooter elétrica, não daquelas que são abandonadas em qualquer lado, mas a que apareceu no Natal, cá em casa, em 2020. Passados estes meses, conto já com quase trezentos quilómetros de asfalto, vive-se a cidade e (por onde passamos) com mais tranquilidade, e a velocidade (de origem) para aquele modelo é de 20km/h.  A manhã acordou estranha, com a aproximação à casa dos senhores que há quase uma semana estão nos telhados a resolver as infiltrações, o Zuky começou a dar sinal, bem antes do meu despertador. Assim, de repente, da minha alma surgiram as primeiras palavras do dia - que, podem bem pensar - não foram muito bonitas. O mesmo processo de sempre, descer as escadas de roupão, um café espanhol com leite português num copo italiano. Nespresso, what else? Cada vez tenho menos paciência para o barulho, a começar pelo que vem ...

Como se diz amor em língua estrangeira - Love in Translation -

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Aquela que seria uma segunda-feira normal, começou por não ser. O patudo acordou antes do meu despertador, quando os senhores do zinco chegaram. Desci as escadas de roupão, cara ensonada, com fome e vontade de beber sossegado o meu galão, com café espanhol e leite português, é só carregar em dois botões... Acredito que o dia 14 de Fevereiro pode ser encantador, inundado de amor. Mas já pararam uns minutos para pensar nas pessoas que tentam fazer scroll desenfreado nas redes porque todos se apaixonam menos eles/as?  Se no dia de Natal, invariavelmente levamos  com "Sozinho em casa", no dia de S. Valentim levamos com séries e filmes excessivamente românticos, as livrarias fazem publicações de "Leve um, pague dois livros de amor e dor de corno". Se ele/ela vai sozinho comprar o último romance da Danielle Steel, a menina da caixa - invariavelmente, casada e feliz - pergunta "é para embrulhar?" Não! É para consumo próprio, como se o livro fosse assim uma espéci...