Um café à volta dos livros em dia de aniversário. Parabéns Eugénio de Andrade!
Não podemos deixar assim alguém tão especial à espera. Sugeri que me indicasse data e hora. Escolhera, do outro lado da linha numa secretária atafulhada em papéis e poemas: dia dezanove, às onze no primeiro banco do Jardim de S. Lázaro. Chego antes, deixo o carro no parque levando comigo um bloco, uma caneta e um manuscrito. Terá Eugénio vontade de me ler? Tento, no meio da neblina que faz companhia ao acordar da cidade, encontrar pistas de como será o seu andar, a sua voz que declamava poesia espanhola numa praça de Madrid. - Francisco, desculpe este meu atraso. Não olhei o relógio, nem sequer ouvira o tilintar dos sinos, tento colocar a minha voz que se apresente firme: - Mestre Andrade. Não tem importância. - Por favor, trata-me por Eugénio. Estendeu-me uma mão já gasta pelo tempo, no casaco vejo-lhe pêlos de um gato negro. - Outros valores se ergueram antecipadamente. - Da sua repartição? - Que ideia! Um poema que me toldava o pensamento....