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Showing posts from February, 2022

Um sábado normal

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Hoje, é possível um sábado normal. Jornal lido sem pressa de olhar o relógio, um croissant a recordar a viagem recente a Paris, a primeira pós-pandemia e pré-guerra. Ontem, foi mais um dia de função, em que foi possível conjugar o antigo e o moderno. Acordo com o despertar do cão, dois pisos abaixo, quando a minha mãe saiu para a padaria e tabacaria dos jornais. Um copo de água quente em jejum e recomeço a doce tarefa de fazer um café fresco com leite. Sabe-me pela vida. Entretanto, o Zuky já corre desenfreado pelo jardim. Gostava de ter a mesma energia logo pela manhã e sair de bicicleta sem hora de regresso marcada. Não!! Preciso do meu tempo, dos meus momentos. Uma leitura em dia do jornal da cidade e evito ligar a televisão. Troco as voltas ao meu cão e fazemos o caminho de sempre mas de forma inversa, ele por ele, está sempre tudo bem. Só não quer que me esqueça dele quando vou à rua. Passámos pelo complexo de ténis, está com uma grande dinâmica. Parque automóvel cheio e crianças ...

O frio aperta, na manhã cinzenta

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Fui o primeiro acordar, se não contarmos com o patudo que achou que hoje era mais um dia de acompanhamento de obras. Felizmente, terminaram ontem, e se nada correr mal, não cairá mais água em pontos da casa. Sendo o primeiro a acordar, coube-me descer as escadas devagar, tomar o café com leite do costume, descer as escadas à cave, abrir a porta e ir buscar os mantimentos matinais: pão e jornais. Foi o dia em que demorei menos tempo, pão na Pepim e jornais no Lausanne, uns metros abaixo. Aqueles lugares fazem-me (invariavelmente) voltar atrás no tempo, vivi ali toda a minha meninice e juventude, uma casa tão perto de supermercado, lavandaria, café, escolas, e centro da cidade. As primeiras páginas transcreviam em palavras e fotografias a noite negra vivida pelos lados de Alvalade, um super Manchestern City para um Sporting recém-chegado às fases decisivas da Champions League.  Acordei com vontade de ir fotografar, e, como sempre, de caminhar com o Zuky. Ao ombro coloquei a minha vel...

Um retrato sereno, uma orquestra, uma memória

Gostava que estivessem aqui, de qualquer uma das formas, on-line, presencialmente - isso sim, seria especial. Jantar saboreado, cozinha arrumada, um passeio em véspera de madrugada. Uma conversa telefónica com um amigo, a cidade a adormecer aos poucos. Chegados a casa, o cão é o primeiro a adormecer, mas antes, termina os grãos que deixa sempre para depois do passeio. Hoje, apetecia-me ouvir uma coisa diferente, de ler algo diferente, e que me fizessem um retrato sereno, despercebido, natural. Morro de inveja de quem fica bem ao primeiro clique. Há dias dizia ao Pedro que faz o favor de me acompanhar em serviços fotográficos que precisava de uma fotografia de perfil com o meu chapéu, um olhar sereno e um charuto aceso, com a sua nuvem a fazer-me companhia.  Nunca mais me esqueço, e até me embarga a voz, da memória física do António, grande amigo, gigante músico e um apreciador de charutos. Pouco tempo antes de partir e já depois de vários convites, passei lá por casa no último dia ...

Silêncio, precisa-se!

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Nem parece terça-feira pós dia de S. Valentim, um sol bonito, vento fraco a soprar do mar, quer dizer, acho que era do mar que vinha, quando desci a rua 19 de scooter elétrica, não daquelas que são abandonadas em qualquer lado, mas a que apareceu no Natal, cá em casa, em 2020. Passados estes meses, conto já com quase trezentos quilómetros de asfalto, vive-se a cidade e (por onde passamos) com mais tranquilidade, e a velocidade (de origem) para aquele modelo é de 20km/h.  A manhã acordou estranha, com a aproximação à casa dos senhores que há quase uma semana estão nos telhados a resolver as infiltrações, o Zuky começou a dar sinal, bem antes do meu despertador. Assim, de repente, da minha alma surgiram as primeiras palavras do dia - que, podem bem pensar - não foram muito bonitas. O mesmo processo de sempre, descer as escadas de roupão, um café espanhol com leite português num copo italiano. Nespresso, what else? Cada vez tenho menos paciência para o barulho, a começar pelo que vem ...

Como se diz amor em língua estrangeira - Love in Translation -

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Aquela que seria uma segunda-feira normal, começou por não ser. O patudo acordou antes do meu despertador, quando os senhores do zinco chegaram. Desci as escadas de roupão, cara ensonada, com fome e vontade de beber sossegado o meu galão, com café espanhol e leite português, é só carregar em dois botões... Acredito que o dia 14 de Fevereiro pode ser encantador, inundado de amor. Mas já pararam uns minutos para pensar nas pessoas que tentam fazer scroll desenfreado nas redes porque todos se apaixonam menos eles/as?  Se no dia de Natal, invariavelmente levamos  com "Sozinho em casa", no dia de S. Valentim levamos com séries e filmes excessivamente românticos, as livrarias fazem publicações de "Leve um, pague dois livros de amor e dor de corno". Se ele/ela vai sozinho comprar o último romance da Danielle Steel, a menina da caixa - invariavelmente, casada e feliz - pergunta "é para embrulhar?" Não! É para consumo próprio, como se o livro fosse assim uma espéci...

Treze - uma sorte para tantos (alguns)

Quando dei por mim (e por ele - calendário) passaram já quarenta e qualquer coisa dias desde o novo ano. A semana foi relativamente calma em termos de notícias, mas a que mais fazia sentir pena era dos animais e dos agricultores num país à beira da seca extrema. Albufeiras com níveis recorde de água (pela negativa), aldeias que submersas em tempo, são agora ponto de atração turística. O custo? Nenhum, é sempre bom publicar umas fotografias no Instagram que nem "Descobridores", mas as gotas que caíram hoje do céu - em véspera de S. Valentim - não chegarão para quase nada. Apenas Norte (Trás-os-Montes e Litoral) sofreriam com estas nuvens chorosas.  O dia hoje - ia - para o Zuky e para mim - que sou o fiel tutor - ser diferente. Desde que o fui buscar àquela box fria da Associação Patinhas Sem Lar - deram-me conta que o meu cão era um regular dador de sangue, apresentava todas as características (e entre outras, a serenidade) para aguentar uns minutos a receber mimos da veterin...

"Desenhos" nas extintas notas de Facebook - 1

- Vamos por aqui! Tenho a certeza que é este o caminho certo...! Ouvi uma voz doce e jovem exclamar estas palavras, com a convicção que estava certa a cem por cento. Deixo-me, do alto ficar a observar todos e quaisquer passos. No meio da azáfama e gemidos de medo e inquieta observação aproxima-se um velho com ar de quem já está morto há vários dias mas ninguém o avisara... - Não vão por aí! É perigoso!  - Que sabes tu, velho rugoso?  Do lado onde me encontro vejo claramente que aquele não é o caminho. Queriam ir ao encontro de alguém, não sei nomes, idades, ou sexo. Deixo-me ficar sossegado, puxo um cigarro, sirvo-me de um balão de um néctar generosamente envelhecido em cascas de carvalho. O velho segue-lhes o rasto mas sem sair do lugar, deixa-se ficar sentado naquela escada que leva à sua "casa" com uma pequena cozinha, uma casa de banho com vista para o labirinto e uma cama de palha. Não demoraram muito tempo a gritar, a pedir ajuda... - Estamos perdidos! E agora, alguém e...

Pela rua do meu bairro - 2

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O asfalto  Que banha a minha rua  Deixa hoje pintado  Os tempos (últimos) de amargura  Não chega  (isso é certo)  Para regar o país  Mas é bem capaz de ser o prefácio  Para um ano mais feliz 

Pela rua do meu bairro - 1

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Ele, (em casa) ficou.  Ela  (Sem medo), voou

A três dias de um grande amor

Já se nota a azáfama de rapazes, raparigas, maridos e "maridas" a aplicarem poupanças (quiçá) de um mês para surpreender a cara metade. Muitos/as, até aproveitam o dia quatorze - S. Valentim - para ficar a conhecer melhor a pessoa com quem dividem o tempo extra que o trabalho e as obrigações disponibiliza. O dia terá sempre vinte e quatro horas, os anos trezentos e sessenta e cinco dias (excepto nos bi-sextos) para provar que de facto existe "mais o que os une, do que os separa".  A biblioteca mundial está carregada de frases feitas, bonitas (por sinal), de cartas com resposta à altura, de propostas para ir desvendar o mundo de chinelos, uma mochila e uma câmara fotográfica.  - Vamos, aproveitamos e escrevemos um blog. Com sorte, dão-nos alojamento, alimentação, gadgets de borla e depois fazemos um canal de Youtube onde partilharemos tudo o que fazemos ao longo do dia, sempre, com um sorriso no rosto.  Por muito que esse sorriso seja fake ou forçado - como no casame...

"Desenhos" no moleskino - 21

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Há dias,  Em que me apetece Percorrer-te  Como se fosse (só) mais um  Dos que diariamente te visitam  

"Desenhos" no moleskino - 20

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Uma bandeira,  Uma nação,  Uma cidade inteira  A entoar a canção "Fui ver o grande Espinho  Logo me apaixonei  Fui ver o preto e branco  P´ra sempre o amarei  Na curva eu vou estar  Com esta mentalidade  Enquanto eu for vivo  Defendo esta cidade 

"Desenhos" no moleskino - 19

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Ele nunca pensou que ela aceitasse o convite. Conheceram-se no "Lar do Comércio", ela tinha trabalhado a vida inteira como secretária do director do jornal, já ele, tinha sido um jornalista de investigação. Não se recordara ao certo se o lugar que ocupava era importante (ou não) e se acima dele havia alguém com as mesmas funções.  Quando ele enviuvou ela aproximou-se, recordaram os tempos do verão quente, da revolução que o fez voar até Lisboa sem saber se voltava com a melhor das entrevistas. Começaram a lanchar na mesma mesa no lar, depois mudou-se para o mesmo andar que ela - e, sem saber contar até três - estavam a casar no átrio da instituição.  A lua-de-mel não passaria muito longe de um passeio a pé pelo Porto que conheceram nos anos 50. Sentaram-se na relva, e ele, por saber de mais da história da cidade contou como Nazoni fez Maria se apaixonar por ele.   

"Desenhos" no moleskino - 18

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Um dia, carrego-te a bagagem - desde que - no telefone me deixes uma mensagem referindo que nunca mais me deixas voar sozinho. Vais (seguramente) deixar saudades, o teu andar, e o teu perfume.   

Amélie - o fechar de um ciclo aos 16

É um rosto, tem nome. Tinha, e terá. Chama-se Amelie, sofria de depressão e o seu corpo - ironia das ironias - apareceu no areal da Luz. Despedira-se de forma carinhosa da mãe, se calhar como há três semanas quando foi à consulta de acompanhamento com a psicóloga. Despediu-se por certo do quarto, das memórias que teria de dezasseis anos vividos num século de scroll, de stories , de hashtags, de músicas só por eles / elas decifradas. É um rosto, um (bonito) rosto, por sinal, um sorriso guardado entre quatro paredes. Quem sou eu / nós, para falar de depressão, de suicídio, de lágrimas de verdade, de comentários mais ou menos ridículos num post de uma rede social?! Provavelmente, a Amelie tinha amigos/as na mesma situação, tomava a medicação, se calhar dava valor a coisas simples como ver o pôr-do-sol. Olhando assim (à minha) distância, são injustos. Os comentários, "como é possível com esta idade ter uma depressão? Ela, era tão conhecida pelos amigos da escola! Ela era popular, tinh...

"Desenhos" no moleskino - 17

O quarto,  Carregado de memórias  (claro) de infância  E eu, sentado  (a um canto)  A tentar compreender  O mundo e a sua (falta)  De capacidade de observância  

"Desenhos" no moleskino - 16

Uma dúzia,  De ovos, Fiambre, Máscaras... Poesia (em tempo de pandemia)  

"Desenhos" no moleskino - 15

Chuva,  É um deleite  No asfalto e relva a cair  Ter um papel, uma caneta  E ver (num branco) sujo surgir  Uma pessoa,  Um sentimento  Em jeito de poesia  Que (pelo menos) esconda  A saudade e a falsa alegria 

"Desenhos" no moleskino - 14

Há duas,  Ou talvez três  Coisas,  Que não dispenso  (no dia-a-dia)  E tu...  Não fazes parte da lista 

"Desenhos" no moleskino - 12+1

Foste,  Sem dúvida A música errada  Num tempo (in)certo

"Desenhos" no moleskino - 12

Só de olhar Para o tamanho da letra  Que outrora escrevi à mão Nunca pensei que fosse tão rápido Transformá-la numa canção 

"Desenhos" no moleskino - 11

Ainda...  Ainda sonho contigo Calma!  É só o título do livro  Que alcança o meu míope olhar  Enquanto escrevo mais um poema  Se calhar - nunca o irás ler  Nem saberás que é para ti  Ainda sonho,  Sim!  Desde o dia em que nasci.  

"Desenhos" no moleskino - 10

 Se eu pudesse...  Voltava atrás (no tempo)  E repetia os erros  Só para te provocar  (SÉRIOS DANOS)      Como o riso,  Em tempos carrancudos

"Desenhos" no moleskino - 9

Que a liberdade  (Que a ti - imaginei dar)  Seja bem diferente  Do termo lutado - e suado -  Por Mandela (noutras palavras)  

"Desenhos" no moleskino - 8

Nunca pensei,  Divagar sóbrio  Sobre palavras Do foro amoroso Digo-te (em verdade)  Que me sinto  (Por ambos)  Um não queixoso 

"Desenhos" no moleskino - 7

Há-de haver Onde começar  Ouvi um dia numa canção Haverá também alguém  Que diga sim - em vez do teu -  Redondo não 

"Desenhos" no moleskino - 6

Era hoje,  Dia de amar sem reservas, De palavras novas,  De descobertas Preferiste a rotina  De um café (já frio) ao sol  Como vês - não sou eu  Quem gelou (quiçá, de propósito)  O coração 

"Desenhos" no moleskino - 5

Falemos de coisas  Sem pressa, (ou) pelo menos  Que tenhamos (os dois) tempo  Para assistir ao nascer do sol        

"Desenhos" no moleskino - 4

Se já gastámos  Coisas fáceis como palavras Não me peças (de novo) um beijo No meio da natureza Ela,  Pelo menos Nunca me mentiu 

"Desenhos" no moleskino - 3

Creio,  Que precise  De olhar o mundo  Sob uma nova "exposição" Já não sei (é) se me habituaria À claridade de um verdadeiro sorriso 

"Desenhos" no moleskino - 2

Quero muito,  Falar com as estrelas  Mas vendo-as ao longe  Anseio a crueldade das coisas Que me (possam) vir a dizer  

Ciclo de Conversas feat. Caliandra Belniowski

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“O sal, das minhas lágrimas de amor Criou um mar que existe entre nós dois Para nos unir e separar…” Na preparação da nossa viagem, quem fez companhia é uma dupla “improvável” – um fado de Vinícius de Moraes e a voz quente de Carminho. Podemos vir até falar de amor, sobre paisagens, mas será sempre por Portugal, pelo Brasil, pelo céu azul do Algarve e os socalcos do Douro.   Caliandra Belniowski é uma referência na arte de saborear o vinho (wine influencer do ano), uma diva no prazer de incendiar um charuto na companhia da lua e, uma musa que inspiraria (estamos certos!) o mais puro dos poetas. Não é difícil imaginar Jobim / Vinícius ou Fernando Pessoa a desenharem os seus traços em palavras. A primeira vez que vi Caliandra foi numa reportagem da SIC na lonjura alentejana com mais um punhado de entusiastas do prazer de Baco. A sua história especial com Portugal tem os tons da capital, mas não consegue desligar-se de forma alguma dos socalcos do Douro e da cidade do Porto – onde esp...

Diário de um covid_er forçado Versão 21.01

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Até novidades em contrário, haverá um reforço de vinho tinto, charutos, livros e memórias Facebookianas. Hoje, foi particularmente um dia esquisito, ontem quando me recolhi disse "amanhã vou buscar o jornal quando acordar...". As notícias já tinham saído e era o último exemplar do diário desportivo Made in Porto. A Covid-19 atingiu também três dragões!! As dragonas mantiveram-se negativas!! Hajam boas notícias, ontem venceram no voleibol aqui bem perto no centro luso venezuelano. Acabada a leitura apaixonante da vida de Sá Carneiro - mergulho agora com o mesmo sorriso - a um senhor que dispensa apresentações, e não falo do "Pa(c)to Donald" do Nuno Rogeiro. Antes, uma autobiografia de Júlio Isidro. Sempre me questionei da sorte que muitos tiveram com a voz que a natureza lhes deu. Hoje, por exemplo aquele homem que era um sem-abrigo nas ruas dos Estados Unidos já foi recebido pela Oprah - sempre no formato 16/9 (a persona em questão). Lá fora, o mundo parece que vai ...