A televisão ligada, o som quase em surdina, um cão há oito meses resgatado, dorme num sofá cama, sossegado. Um zapping clássico para ganhar sono, um filme - não sei bem já em que canal - "Ele e ela", ela sozinha a escrever num blogue, ele, no outro lado da cidade deitado num sofá comprido a olhar os papéis. A mãe dela liga-lhe preocupada, com a profundeza do pensamento partilhado. Sai de casa e vai às compras, dizendo: - Ele saiu, foi buscar uma pizza. Eu também, mas ela não sabe, e pouca gente o sabia. A minha mãe, o meu mural de facebook e a minha nutricionista. Escrevo-lhe, embora ela não saiba que me é fonte de inspiração para erros gastronómicos. É bonita, tem um cabelo loiro (como eu já tive, quando era criança), maior é certo, olhos azuis, eu fiquei pelos castanhos, segundo uma canção, de encantos tamanhos. Uns olhos que me deixam ver o mundo através da lente, mais ou menos correctamente. Olho o calendário, amanhã acordo cedo, tenho um trabalho diferente. Sou tudo, ...