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Showing posts from November, 2021

Onze

Era Setembro, E em ti escurecia o dia, Ainda que não o desses por terminado

Dez

Sou apenas um Num total de sete biliões Sou alguém que nasceu Entre tantas outras paixões Fizeram-me crescer Com todo o amor do Mundo Poderei eu mudar-me Assim? Num segundo? Sou apenas alguém Que viaja por este mundo Sou apenas mais um Que vive ao segundo Sou apenas um Que escreve sem pensar Sou entre tantos Aquele que vive para amar Sou um tanto Ou serei resto de nada Serei eu príncipe De uma história mal contada? Sou apenas o reflexo De um mundo que cresceu Sou apenas uma peça De um puzzle começado por Romeu Sou apenas fruto De uma simples relação Serei eu fruto proibido De uma futura nação? Sou entre tantos Um que vive para viver No meio de tantos Que vivem para ter Serei apenas uma cabeça No meio da multidão Mas posso muito bem Ser das poucas que pensa com o coração Sou apenas uma sombra Do Homem que quis ser No entanto vivo no presente O sonho que tive, em poder escrever

Nove

Talvez eu tenha nascido No ano da incerteza Talvez tenha enveredado Por um caminho enlameado Talvez eu tenha a capacidade De sorrir com vontade Talvez eu queira dizer Uma ou outra verdade Talvez se amanhã acordar Olhe para ontem e consiga Suspirar e agradecer Por não ter sido outro alguém Que não aquele que minha mãe viu nascer Talvez me dêem hipóteses para continuar (Talvez assim) eu me possa valorizar Um dia vou escrever um final De uma história (em prosa) feliz Se fui por este caminho Não foi porque me obrigaram Foi porque quis.

Oito

Perco-me nos olhares Que por aqui vejo passar Ouço sons de ondas e aves Vislumbrando núvens no ar Roubo minutos contados Ao tempo que teima em avançar Vou coleccionando momentos Para mais tarde recordar O canto das gaivotas Que devagar vão sobrevoando Praias outrora desertas Mas que não perdem o encanto Palavras que teimo em repetir Sons que não me canso de ouvir Momentos prazerosos para viver E uma estrada inteira para percorrer Dos sons da cidade prefiro, Nem sequer ouvir Em frente a um enorme oceano Com tesouros para descobrir São tantas as memórias Guardadas num só lugar Nem todas são positivas Então para quê guardar? Embrulho num pedaço de papel Atiro com pujança para o ar Ao longe uma gaivota vê Batendo forte as asas para agarrar Nele escrevo o teu nome Que prefiro ao mar entregar Talvez nele encontres Um outro alguém para amar Deixa então que parta Sem uma lágrima derramar Tenho a certeza que para lá do oceano Encontrarei o meu lugar De...

Sete

Sou pelas viagens, pelas descobertas do desconhecido (ou por vezes nem tanto), tudo isso que agora acontece (escrito) teve lugar num autocarro a caminho da estação de comboios de Florença. Mochila apoiada nos ombros, mala para cinco dias, um cartão de memória quase cheio. Ao meu lado, uns dois ou três passos atrás um jovem casal local, não me pareciam turistas. Ele, teria pouco mais de trinta e cinco, ela, de chapéu e pele lisa terá nascido em oitenta e pouco (uma boa colheita). Na confusão da chegada e para que nada falte na final check, trouxe o meu braço atrás e as nossas mãos tocaram-se. Eu fiquei um pouco atrapalhado, ela sorriu e disse que não havia problema. Ele, olhava o aglomerado de gente na fachada da estação. Ainda hoje não sei o seu nome, a sua idade mas na memória ficou-me a sua idade da pele, o perfume e o sorriso. Abençoada a hora em que procurei no autocarro se tinha tudo comigo.

Seis

Regresso, quase sempre Àquele lugar Espero que a noite chegue E respiro aquele ar do mar Escrevo palavras esbaforidas Umas quem sabe ao sabor do vento Como se elas fossem capazes De me perceber, de me dar alento Solidão, esquecimento, Desilusão? Não, Aqui não penso, nem sequer no sentimento Desço ao mar Deixo as minhas pegadas marcadas E peço melhores manhãs Tardes e madrugadas Deixo a cidade para trás Fujo para lá do monte Agora acordo de manhã E há um azul no horizonte Amanhã talvez volte E me esqueça do que escrever Talvez seja a hora de fechar a caneta E quem sabe... VOLTAR a viver. Longe da cidade e do monte, na praia escrevi... Sei lá bem onde!

Cinco

Aqui, Sentado A uns metros Um imenso oceano Olho o futuro, confiante Como se tivesse um plano

Quatro

A chuva, De noite traz o maior dos romances. Somos, por vezes sós A caminhar no asfalto E até os passeios ganham Uma nova vida

Três

Não conhecia a Sara... Pelo menos, fora dos ecrãs e dos ficheiros audio. Fruto de uma amor de Tony e Fernanda, Sara nasceu com o rótulo Carreira, e num "mundo" como Portugal pode ser complicado. Se faz uma coisa bem e tem sucesso é pelo êxito do progenitor e irmãos, se faz algo mal as redes enchem-se de comentários destrutivos. Não conhecia a Sara mas conhecia o seu trabalho, a sua doce voz e os olhos que facilmente estariam na minha lista de "Rostos a fotografar pelo menos uma vez". O seu álbum de estreia está carregado de melodias interessantes, guitarras audíveis (ao contrário do que algumas rádios vão passando), musicalmente evoluída e em evolução, Sara não me pareceu nunca deixar-se levar pelo sucesso do pai, Tony, trilhando (a pulso e muito lentamente) o seu percurso. Não conhecia a Sara mas também sei que por esse mundo fora há Saras que morrem a caminho da escola, de um aniversário, de casa depois de uma noite com as melhores amigas a planear uma viagem ...

Dois

Escrever-te-ia dias e páginas a fio, mas sou apaixonado pelas cores das folhas no Outono... Tenho que salvar as árvores do parque da minha cidade, guardarei para os pássaros as palavras que te escrevi ao computador.

Um

A televisão ligada, o som quase em surdina, um cão há oito meses resgatado, dorme num sofá cama, sossegado. Um zapping clássico para ganhar sono, um filme - não sei bem já em que canal - "Ele e ela", ela sozinha a escrever num blogue, ele, no outro lado da cidade deitado num sofá comprido a olhar os papéis. A mãe dela liga-lhe preocupada, com a profundeza do pensamento partilhado. Sai de casa e vai às compras, dizendo: - Ele saiu, foi buscar uma pizza. Eu também, mas ela não sabe, e pouca gente o sabia. A minha mãe, o meu mural de facebook e a minha nutricionista. Escrevo-lhe, embora ela não saiba que me é fonte de inspiração para erros gastronómicos. É bonita, tem um cabelo loiro (como eu já tive, quando era criança), maior é certo, olhos azuis, eu fiquei pelos castanhos, segundo uma canção, de encantos tamanhos. Uns olhos que me deixam ver o mundo através da lente, mais ou menos correctamente. Olho o calendário, amanhã acordo cedo, tenho um trabalho diferente. Sou tudo, ...