Oito

Perco-me nos olhares Que por aqui vejo passar Ouço sons de ondas e aves Vislumbrando núvens no ar Roubo minutos contados Ao tempo que teima em avançar Vou coleccionando momentos Para mais tarde recordar O canto das gaivotas Que devagar vão sobrevoando Praias outrora desertas Mas que não perdem o encanto Palavras que teimo em repetir Sons que não me canso de ouvir Momentos prazerosos para viver E uma estrada inteira para percorrer Dos sons da cidade prefiro, Nem sequer ouvir Em frente a um enorme oceano Com tesouros para descobrir São tantas as memórias Guardadas num só lugar Nem todas são positivas Então para quê guardar? Embrulho num pedaço de papel Atiro com pujança para o ar Ao longe uma gaivota vê Batendo forte as asas para agarrar Nele escrevo o teu nome Que prefiro ao mar entregar Talvez nele encontres Um outro alguém para amar Deixa então que parta Sem uma lágrima derramar Tenho a certeza que para lá do oceano Encontrarei o meu lugar Devolvo cartas e prendas Que guardei em secreto lugar Guarda tudo o que te pertence Para que possas recordar Vive com a certeza Que fiz tudo ao meu alcance Mas nem com as maiores asas Chegaria a quem está distante Escrevi então o teu nome Atirei-o em direcção ao mar Talvez um dia te encontres E fiquemos nesse tal lugar Levo a máquina para captar Um sorriso e um olhar Mas podes ter a certeza De mim não te vou apagar Diz então o que precisas Prometo ir à procura Sabes bem que sempre tentei Ser um EU à tua altura Algarve, 2012

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