"Desenhos" nas extintas notas de Facebook - 1

- Vamos por aqui! Tenho a certeza que é este o caminho certo...!

Ouvi uma voz doce e jovem exclamar estas palavras, com a convicção que estava certa a cem por cento. Deixo-me, do alto ficar a observar todos e quaisquer passos. No meio da azáfama e gemidos de medo e inquieta observação aproxima-se um velho com ar de quem já está morto há vários dias mas ninguém o avisara...

- Não vão por aí! É perigoso! 
- Que sabes tu, velho rugoso? 

Do lado onde me encontro vejo claramente que aquele não é o caminho. Queriam ir ao encontro de alguém, não sei nomes, idades, ou sexo. Deixo-me ficar sossegado, puxo um cigarro, sirvo-me de um balão de um néctar generosamente envelhecido em cascas de carvalho. O velho segue-lhes o rasto mas sem sair do lugar, deixa-se ficar sentado naquela escada que leva à sua "casa" com uma pequena cozinha, uma casa de banho com vista para o labirinto e uma cama de palha. Não demoraram muito tempo a gritar, a pedir ajuda...

- Estamos perdidos! E agora, alguém está aí? Ajuuuuudem! 

Sorria o velho homem, eu deixei-me ficar sossegado, sabia perfeitamente que encontrariam o caminho certo para encontrar a pessoa que há muito procuravam. O velho mais uma vez puxou pela sua voz dizendo: 

- Dêm meia volta, o caminho não é esse! Vão-se perder...
- Cala-te! Que velho chato! Vamos em frente...

Ao fundo havia umas setas desenhadas, olharam atentamente e eu mais o velho atentamente olhávamos à distância. Pensei para mim enquanto o cigarro ia diminuindo o seu tamanho original: 

- Tenho a certeza que vais fazer o que o velho te disse...

Voltaram para trás, pediram ajuda ao velho que entretanto se levantou para os receber: 

- Estão à minha procura? Sou eu, sim! O vosso Avô! 
- Porque não nos disseste nada? 
- Sabia quem vocês eram mas não quiseram ouvir o que tinha para dizer. 
- Podemos ficar aqui contigo um bocado? 
- Claro... O tempo que quiserem...


Francisco Milheiro 
Fevereiro 2012

Comments

Popular posts from this blog

Três

Amélie - o fechar de um ciclo aos 16

Silêncio, precisa-se!