Fui o primeiro acordar, se não contarmos com o patudo que achou que hoje era mais um dia de acompanhamento de obras. Felizmente, terminaram ontem, e se nada correr mal, não cairá mais água em pontos da casa. Sendo o primeiro a acordar, coube-me descer as escadas devagar, tomar o café com leite do costume, descer as escadas à cave, abrir a porta e ir buscar os mantimentos matinais: pão e jornais. Foi o dia em que demorei menos tempo, pão na Pepim e jornais no Lausanne, uns metros abaixo. Aqueles lugares fazem-me (invariavelmente) voltar atrás no tempo, vivi ali toda a minha meninice e juventude, uma casa tão perto de supermercado, lavandaria, café, escolas, e centro da cidade. As primeiras páginas transcreviam em palavras e fotografias a noite negra vivida pelos lados de Alvalade, um super Manchestern City para um Sporting recém-chegado às fases decisivas da Champions League.

Acordei com vontade de ir fotografar, e, como sempre, de caminhar com o Zuky. Ao ombro coloquei a minha velhinha 6D com a objectiva fixa 50mm, como já referi anteriormente, o cão já se habituou a um dono fotógrafo, paramos várias vezes para uma imagem e para conversar com quem conhecemos, e num mundo tão cosy como Espinho, conhecemos muita gente. Reparei na senhora que caminhava devagar na praça da feira e enquadrei-a na enorme janela do Centro Multimeios. Quando fotografo, invariavelmente agora em modo Manual - depois do acidente nas campanhas - e a primeira fotografia será sempre um teste, mas depois, é idealizar e só depois, clicar. Recordo-me bem, quando fizemos um curso com o Daniel Rodrigues ele dizer-nos que "imaginem que têm uma câmara analógica com trinta e seis fotografias... não querem desperdiçar o rolo...". Pois, só de pensar que há não muito tempo atrás ia assistir / fotografar um jogo de voleibol e disparava mil e quinhentas fotos para publicar quatro ou cinco. E depois? Depois guardam-se em arquivo...

Passo centenas de vezes ao ano por esta árvore, neste parque junto ao edifício da Câmara, e consigo sempre fazer uma foto que não havia feito antes. Possivelmente, esta árvore já se terá transformado milhares de vezes, mas hoje, reparei como estava em plano inclinado. Seguramente, há uns anos que passaria ao lado, nos tempos que correm primo o botão. Poderia até chamar à imagem de "A árvore dorminhoca", gosto muito de fotografar natureza, mesmo que ela não me diga nada. Quer dizer, na verdade até diz, está lá sempre, que preciso de respirar mais fundo.
Se tivesse de dar uma legenda criativa a esta imagem, o pensamento levar-me-ia para "aquele que nunca se penteia quando acorda e acha que está bem só porque passou os dedos pela pinha". Quem sabe, um título / legenda um pouco expansivo, mas a arte é isso mesmo, quem é o outro para dizer sobre o que estamos a sentir no momento? Possivelmente, esta árvore mudará de cor na primavera e fará uma boa sombra no verão.
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