Treze - Azar dos Távoras
Pela primeira vez de que estou online com este "Blogue assim assim" é o primeiro post a que verdadeiramente dou um título, não que pratique em mim matemática de primeira classe, mas gosto de ter os posts por número, assim como capítulos da vida. Sempre que começo um livro - e já lá vão três - um publicado, os outros dois hão-de sair um dia, tenho quase sempre a vontade de dar um nome a cada um dos capítulos, mas isso leva-me a outro problema, além de criar a história ainda tenho de pensar num título (sorrisos!).
"A internet tem tudo...", ouvi isto em qualquer lado. Sim! De facto, temos muita coisa à distância de um clique: um amor, umas flores, uma viagem, uma câmara fotográfica, uma peça de roupa, etc. Até na internet mais negra - chamada Dark Web - temos acesso a coisas como armas, dinheiro falso, etc. Na Internet há tudo, menos cursos de escrita criativa. Há tempos - não vai muito longe - queixava-me da falta de veia criativa. Duas horas depois, um passeio noturno com o meu cão - Zuky - chego a casa, bebo um copo de água e com uma guitarra no colo começam a surgir as primeiras palavras de um novo tema "de ti, já me esqueci...". Correu tão bem, que nessa mesma noite o tema estava pronto a descobrir outras (e necessárias) roupagens, uma linha de baixo, uma guitarra acústica, um piano, uma secção de cordas. Meu Deus, tão bem que ficaria naquela música, depois vêm os principais problemas, criar... a partir do nada.
Uma folha em branco, um ficheiro word sem nada, damos um título mais ou menos pomposo à coisa, "As casas, os carros, as pessoas, as cidades, etc..." não que tenha a ver verdadeiramente com o que sairá dali a um minuto ou duzentas noites. Escrever, é por si só, um exercício criativo, mesmo que do outro lado tenhamos uma história já definida e a viajar vezes sem conta nos nossos neurónios. Na Internet há de tudo, ou antes, quase tudo. Com uma réstia de esperança vou ao Sr. Google, o médico que está mais "à mão", à Wikipédia, etc. Pergunta-me pelas palavras-chave e eu, em letras garrafais, escrevo "ESCRITA CRIATIVA EM PORTUGUÊS DE PORTUGAL...". Só aí, já merecia um sem número de links com acesso livre, gratuito a autores e PDF´s bonitos. Encontro tudo, menos exercícios. Com uma breve esperança sigo até ao Youtube, a ideia é colocar uma boa música de fundo (de preferência só instrumental) e renovo a pesquisa "ESCRITA CRIATIVA EM PORTUGUÊS DE PORTUGAL". Acedo ao primeiro, e do primeiro surge:
- E aí, galera!? Tudo jóia?!
Faço um scroll para cima, para ter a certeza que tinha escrito português de portugal, e sim... Havia escrito! Faço um scroll em sentido descendente e continuam a aparecer rapazes e raparigas com um ar extremamente literário mas notoriamente estrangeiro. Guardo uns minutos para uma miúda com óculos, parecia-me ser a mais normal delas todas. Um cenário bonito, repleto de livros arrumados por título (já tentei fazer isso, mas com a chegada de novos era preciso - das duas uma, ou reformular o armário do IKEA ou comprar mais uma estante). Como o meu quarto não cresce desde que cá chegámos opto por guardar onde há espaço no quadrado a seguir, na esperança de o "estacionar" no sítio certo quando num sábado ou domingo de chuva me submeta ao exercício "criativo" das limpezas.
Olho o relógio, são quinze horas e vinte e um minutos de uma normal segunda-feira. O meu cão, dorme serenamente, depois de dois passeios (matinal e pós-almoço). Dou por mim, sentado num sofá onde já (adormeci vezes sem conta) à espera que a inspiração chegasse.
Sabem o que ganhei com isso? Um torcicolo no pescoço e ao abrir os olhos passava uma coisa muito pouco criativa chamado "Big Brother...".
Comments
Post a Comment