Treze - uma sorte para tantos (alguns)

Quando dei por mim (e por ele - calendário) passaram já quarenta e qualquer coisa dias desde o novo ano. A semana foi relativamente calma em termos de notícias, mas a que mais fazia sentir pena era dos animais e dos agricultores num país à beira da seca extrema. Albufeiras com níveis recorde de água (pela negativa), aldeias que submersas em tempo, são agora ponto de atração turística. O custo? Nenhum, é sempre bom publicar umas fotografias no Instagram que nem "Descobridores", mas as gotas que caíram hoje do céu - em véspera de S. Valentim - não chegarão para quase nada. Apenas Norte (Trás-os-Montes e Litoral) sofreriam com estas nuvens chorosas. 

O dia hoje - ia - para o Zuky e para mim - que sou o fiel tutor - ser diferente. Desde que o fui buscar àquela box fria da Associação Patinhas Sem Lar - deram-me conta que o meu cão era um regular dador de sangue, apresentava todas as características (e entre outras, a serenidade) para aguentar uns minutos a receber mimos da veterinária, da assistente e do responsável do BSA - Banco de Sangue Animal - que me contactara uns dias antes para recordar a dádiva do meu "cromo em jeito de cão giro". O ano passado, com a pandemia os níveis de sangue também desceram consideravelmente, entre outras razões, o confinamento e os testes positivos à Covid 19. 

Lá fomos nós, depois de uma cena digna de filme matinal - acordar "cedo", desligar o alarme, abrir o portão, descer a rua, comprar o pão, o jornal e regressar sem um único desmaio no currículo, mas sim, com muita fome. A padaria estava cheia, carros estacionados como "desse", a porcaria das máscaras e um vidro a atrapalhar o pedido. Já não havia queques normais, só bolos de arroz. Nessa altura, vem-me sempre à memória a paciência da minha nutricionista :) e dos meus posts na rede social mais próxima. Os jornais, foram adquiridos na bomba de gasolina já perto de casa, olhei o relógio quando entrei no carro, desde que saíra de casa foram dezassete minutos. 

Já não é a primeira vez que digo - ou penso - em fazer diferente, em comprar mesmo aqui ao pé, no largo da igreja, onde tantas vezes passeio o Zuky. Já não fazia o caminho para o Estádio de Grijó há longos anos, mas em nada mudou, o paralelo continua a fazer companhia ao nosso admirável e cómodo assento do Peugeot. Não é NORMA, antes pelo contrário, mas nos últimos dias o silêncio tem-nos feito companhia nas viagens - umas curtas, outras maiores - em que não o oiço ladrar. Vai sossegado, só quer estar comigo e estar na rua. Há dias, na Farmácia - propriedade do melhor hóquista do mundo - o Miguel dizia que desde que o patudo deles morreu, que caminha menos de metade. É verdade, um cão (é, para muitos de nós) o escape e um fabuloso exercício. 

Há não muito tempo, fazia as caminhadas com os auscultadores nos ouvidos e o iMusic em random, não raras vezes, me vem à cabeça um início de um poema para uma canção. Somos iluminados? Não sei... Mas também fazemos muito por isso. São muitas horas dedicadas à leitura, à escrita (agora, por aqui) e ao querer deixar algo ao mundo. Existe a velha frase "com vinte anos queremos mudar o mundo, com trinta queremos comprar uns sofás novos", estou bem como estou, confortável no meu sofá, mas quero ainda mudar (o que posso, sem prejudicar outrém) o mundo. Começaria por decretar "obrigatória" a chuva nas zonas onde a água é fundamental para a criação e/ou sobrevivência. Agora, choca-me, ouvir nas notícias que numa terra aqui tão perto, as pessoas precisam de gastar X litros de água para não pagar 40€/mês. 

São dez e vinte, não tomei café. O Zuky, dorme sereno, com o pensamento no futuro e num pedaço de fiambre (brevemente) porque se portou muitíssimo bem :)  

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