Um sábado normal

Hoje, é possível um sábado normal. Jornal lido sem pressa de olhar o relógio, um croissant a recordar a viagem recente a Paris, a primeira pós-pandemia e pré-guerra. Ontem, foi mais um dia de função, em que foi possível conjugar o antigo e o moderno. Acordo com o despertar do cão, dois pisos abaixo, quando a minha mãe saiu para a padaria e tabacaria dos jornais. Um copo de água quente em jejum e recomeço a doce tarefa de fazer um café fresco com leite. Sabe-me pela vida. Entretanto, o Zuky já corre desenfreado pelo jardim. Gostava de ter a mesma energia logo pela manhã e sair de bicicleta sem hora de regresso marcada. Não!! Preciso do meu tempo, dos meus momentos. Uma leitura em dia do jornal da cidade e evito ligar a televisão.

Troco as voltas ao meu cão e fazemos o caminho de sempre mas de forma inversa, ele por ele, está sempre tudo bem. Só não quer que me esqueça dele quando vou à rua. Passámos pelo complexo de ténis, está com uma grande dinâmica. Parque automóvel cheio e crianças a dar os primeiros passos na modalidade. Reencontro, assim, "en passant" a Karolina e a Francisca do voleibol. Estariam à espera da equipa para mais um jogo. Sou desafiado para ir ao golfe, mas declino o convite. Apetece - me estar um pouco só, com o som do obturador. Um café sossegado e respirar o ar no parque. Não sei se se passa o mesmo com todos, mas o cheiro a relva acabada de cortar logo pela manhã deveria ser obrigatório. O cheiro da natureza queria-o transportar para Kiev, não compreendo as guerras.

Faço uns cliques a preto e branco, regresso ao jardim de casa dos meus pais e às minhas leituras. "As Sombras de uma azinheira" de Álvaro Laborinho Lúcio, um nato contador de histórias. Acontece-me o que de resto aconteceu já com "O programa segue dentro de momentos" de Júlio Isidro, "Contra mim" de Valter Hugo Mãe e "Janela Indiscreta" do nosso conterrâneo Mário Augusto. Ler e recriar as inconfundíveis vozes.

De manhã guardo tempo para o silêncio, à noite deixo que a poesia se acompanhe de Maria João Pires, ou Leonard Cohen. Sim, eu sei! São diferentes um do outro, mas igualmente convidativos para um serão à luz da lua. 


A  

 

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