Um caderno na capital

 


Ontem, a manhã começou cedo, e quando digo cedo é mesmo praticamente com "as galinhas", galos, pássaros, etc. O meu pai ontem foi à capital do império falar sobre gestão do risco a uma força que o enfrenta diariamente. Há pouco, sentado à mesa de almoço fui ver quantos quilómetros me separavam de Kiev, de minha casa ao centro são quase dois dias de carro, três mil novecentos e vinte e três quilómetros, nós ontem fizemos seiscentos e qualquer coisa, serenos. Paulo Fonseca e mais um grupo de portugueses passaram por uma odisseia de trinta e qualquer coisa horas para voltar a pisar o chão seguro de Lisboa. Consigo, trazia a mulher, Katerina e os dois filhos. Disse, para quem o queria ouvir - não ter pensado sequer na sua carreira de treinador. 

Este caderno - na imagem - com tanto daquilo que é português tem já uns anos, e foi, curiosamente, comprado no CCB, em Lisboa. É certo que hoje em dia temos o iPhone ou qualquer outra coisa com notas, mas continuo a ser daqueles que usa / abusa e gasta papel e caneta. Já ninguém escreve cartas como antes. Ontem, voltei a escrever naquele caderno, que agora descansa no tampo do piano. Descobri lá tanta mensagem e poemas que prometo um dia compilar num post ou dois ou mais. Não me envergonho do que tenho nas memórias, o que me envergonho mesmo é de ter - em tempos - gasto o meu tempo com projectos e pessoas que não passariam para o outro lado da rua para me ajudar. Aprendemos com o tempo? Seguramente que sim, mas devia haver alguma canção ou e-mail que nos abrisse os olhos a tempo. 

Sentado, em frente ao rio, passaram por mim centenas de pessoas, umas de bicicleta, outras de scooter / trotinete, e devem-me ter confundido com um turista. Até o era, mas UM PORTUGUÊS - em boa parte - não fosse o livro de Álvaro Laborinho Lúcio - "As sombras de uma azinheira" e até encontrei uma família de Espinho. Já escrevi sobre Lisboa, uma canção que tinha tudo para ser entoada por alguém que a conhecesse como a palma da mão, como eu conheço a minha cidade de Espinho e alguns lugares do Porto, chama-se "Quando a cidade adormece" e foi neste caderno que começaram a surgir as primeiras palavras.

Lisboa recebe-me sempre com sol, e é de Lisboa que a vida me trouxe e mantém a minha melhor amiga, a JoTa. Com ela cheguei a bom porto, é o meu abrigo. Quando entoo "Menina Mulher" é como se a tivesse ao meu lado, no piano. Leva-me a um longínquo ano de 2008, 2009 e 2010. Quando fez anos, engendrei um plano para estar presente. Isso, envolveu uma chamada telefónica a poucos minutos de entrar no Alfa Pendular, uma chamada telefónica para reservar um quarto num hotel próximo onde pude - na primeira pessoa - testemunhar a luz de Lisboa. Foram seiscentos quilómetros em pouco menos de vinte e quatro horas. Sabem que mais? Voltaria a fazê-lo. 

(VOLTANDO A ONTEM) 

Um almoço na Versailles, uma senhora na mesa do lado que meteu conversa e até pesquisou sobre o livro que me acompanhava, além do caderno e da câmara. Um táxi que subiu a Calçada da Ajuda e me deixou junto ao Mosteiro dos Jerónimos. Já não me lembrava da sua dimensão e do que o rodeava. Foram muitos quilómetros a pé, muitas fotografias que por certo não caberão neste post. Deixo-vos com a fotografia que me disse "até já, Chico". 


Até já, Lisboa! 


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