A primeira música de 2023

A primeira música que ouvi em 2023 foi da chuva na vidraça. A televisão insiste em trazer aos "directos" projectos em duo ou trio com qualidade duvidosa, mas vai-se a ver e as vendas, ou então, o denominado "sucesso" é estrondoso.

Passámos os quatro em casa, como há muito tempo não era reeditado. O Zuky, que hoje celebra cinco (ou seis) anos de idade permaneceu impávido e sereno até ao fogo-de-artifício da meia-noite. A protecção civil bem que desaconselhara horas antes que o pessoal saísse de casa, mas houve oportunidade para ver uns fogos à borla, bem perto, e... Longe da multidão.

Fui o terceiro a acordar, primeiro o cão com a trovoada, logo depois a minha mãe para o primeiro pequeno-almoço de 2023. Já não tomava banho há um ano, pelo que depois de um café com leite deixei que a água escorresse pelos cabelos. Por falar nisso, será este ano que vou experimentar rapar o cabelo... 

Quando entrei na bomba de gasolina para comprar as primeiras notícias do ano, na rádio os acordes calmos de "Tudo o que eu te dou" de Pedro Abrunhosa. A música tem por base a memória, e é àquele tempo que voltamos. O tempo em que a gasolina era barata, cem escudos dava para comprar uma alarvidade de chicletes e ainda guardávamos o troco para uma bola de futebol nova no tempo de verão.

Ainda me veio à memória o largo onde dava chutos na bola em frente à nossa antiga casa, a que um dia foi o meu refúgio secreto. 

A casa agora está em silêncio, no andar de cima o constante assalto de notícias sobre Kiev, passagem de ano no Dubai, a tomada de posse de Lula... Cá em baixo, mantenho intacto o meu interesse em saber um pouco mais sobre o lindo - embora trágico amor - de Pedro e Inês. 2023 ainda agora começou e já só penso no que sonho para os próximos 365 dias. 

(re)Escrever é, seguramente, uma delas. 


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