É um rosto, tem nome. Tinha, e terá. Chama-se Amelie, sofria de depressão e o seu corpo - ironia das ironias - apareceu no areal da Luz. Despedira-se de forma carinhosa da mãe, se calhar como há três semanas quando foi à consulta de acompanhamento com a psicóloga. Despediu-se por certo do quarto, das memórias que teria de dezasseis anos vividos num século de scroll, de stories , de hashtags, de músicas só por eles / elas decifradas. É um rosto, um (bonito) rosto, por sinal, um sorriso guardado entre quatro paredes. Quem sou eu / nós, para falar de depressão, de suicídio, de lágrimas de verdade, de comentários mais ou menos ridículos num post de uma rede social?! Provavelmente, a Amelie tinha amigos/as na mesma situação, tomava a medicação, se calhar dava valor a coisas simples como ver o pôr-do-sol. Olhando assim (à minha) distância, são injustos. Os comentários, "como é possível com esta idade ter uma depressão? Ela, era tão conhecida pelos amigos da escola! Ela era popular, tinh...
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