Um blogue assim assim. Não sei vender o meu peixe de outra forma. Entre fotografia e literatura, sobra-me às vezes um tempo para escrever. E tenho tanto... Por dizer!
Recados no carro da vizinha
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Já não se encontram vizinhos que nos escrevam cartas no Natal. Agora, o que mais há é vizinhos a deixar recados para "ir estacionar para outra freguesia..."
Não conhecia a Sara... Pelo menos, fora dos ecrãs e dos ficheiros audio. Fruto de uma amor de Tony e Fernanda, Sara nasceu com o rótulo Carreira, e num "mundo" como Portugal pode ser complicado. Se faz uma coisa bem e tem sucesso é pelo êxito do progenitor e irmãos, se faz algo mal as redes enchem-se de comentários destrutivos. Não conhecia a Sara mas conhecia o seu trabalho, a sua doce voz e os olhos que facilmente estariam na minha lista de "Rostos a fotografar pelo menos uma vez". O seu álbum de estreia está carregado de melodias interessantes, guitarras audíveis (ao contrário do que algumas rádios vão passando), musicalmente evoluída e em evolução, Sara não me pareceu nunca deixar-se levar pelo sucesso do pai, Tony, trilhando (a pulso e muito lentamente) o seu percurso. Não conhecia a Sara mas também sei que por esse mundo fora há Saras que morrem a caminho da escola, de um aniversário, de casa depois de uma noite com as melhores amigas a planear uma viagem ...
É um rosto, tem nome. Tinha, e terá. Chama-se Amelie, sofria de depressão e o seu corpo - ironia das ironias - apareceu no areal da Luz. Despedira-se de forma carinhosa da mãe, se calhar como há três semanas quando foi à consulta de acompanhamento com a psicóloga. Despediu-se por certo do quarto, das memórias que teria de dezasseis anos vividos num século de scroll, de stories , de hashtags, de músicas só por eles / elas decifradas. É um rosto, um (bonito) rosto, por sinal, um sorriso guardado entre quatro paredes. Quem sou eu / nós, para falar de depressão, de suicídio, de lágrimas de verdade, de comentários mais ou menos ridículos num post de uma rede social?! Provavelmente, a Amelie tinha amigos/as na mesma situação, tomava a medicação, se calhar dava valor a coisas simples como ver o pôr-do-sol. Olhando assim (à minha) distância, são injustos. Os comentários, "como é possível com esta idade ter uma depressão? Ela, era tão conhecida pelos amigos da escola! Ela era popular, tinh...
Nem parece terça-feira pós dia de S. Valentim, um sol bonito, vento fraco a soprar do mar, quer dizer, acho que era do mar que vinha, quando desci a rua 19 de scooter elétrica, não daquelas que são abandonadas em qualquer lado, mas a que apareceu no Natal, cá em casa, em 2020. Passados estes meses, conto já com quase trezentos quilómetros de asfalto, vive-se a cidade e (por onde passamos) com mais tranquilidade, e a velocidade (de origem) para aquele modelo é de 20km/h. A manhã acordou estranha, com a aproximação à casa dos senhores que há quase uma semana estão nos telhados a resolver as infiltrações, o Zuky começou a dar sinal, bem antes do meu despertador. Assim, de repente, da minha alma surgiram as primeiras palavras do dia - que, podem bem pensar - não foram muito bonitas. O mesmo processo de sempre, descer as escadas de roupão, um café espanhol com leite português num copo italiano. Nespresso, what else? Cada vez tenho menos paciência para o barulho, a começar pelo que vem ...
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