Um blogue assim assim. Não sei vender o meu peixe de outra forma. Entre fotografia e literatura, sobra-me às vezes um tempo para escrever. E tenho tanto... Por dizer!
Recados no carro da vizinha
Get link
Facebook
X
Pinterest
Email
Other Apps
Já não se encontram vizinhos que nos escrevam cartas no Natal. Agora, o que mais há é vizinhos a deixar recados para "ir estacionar para outra freguesia..."
E então, gente boa! Como tem sido o vosso confinamento?! Pelo que vejo e vi quando saí a meio da tarde para resolver assuntos pendentes (mas logo de seguida regressei a casa) o trânsito continua a ser notoriamente o mesmo que há umas semanas. Ontem foi dia de passagem pelo jornal e tive já alguma noção sobre o confinamento mas mesmo ali ao lado - dois jovens - em idade escolar, sem máscara a ouvir "música" e a falar alto. Foi para isso que encerraram as escolas? Coloquei música entre aspas porque "Peixe Azul" do grande Miguel Araújo saiu para o mercado (atualmente apenas em formato físico CD, e em Março nas restantes plataformas digitais). Acompanho desde os primórdios Azeitonas e no caso do Miguel nunca houve mudança de atitude e não se tolda pelo sucesso, continua a fazer o que fazia. É bem capaz de ser o sucessor de Carlos Tê e a onda do Rui Veloso (que segunda-feira será o convidado de Fátima Campos Ferreira em "Primeira Pessoa"). Musicalmente, o P...
Não conhecia a Sara... Pelo menos, fora dos ecrãs e dos ficheiros audio. Fruto de uma amor de Tony e Fernanda, Sara nasceu com o rótulo Carreira, e num "mundo" como Portugal pode ser complicado. Se faz uma coisa bem e tem sucesso é pelo êxito do progenitor e irmãos, se faz algo mal as redes enchem-se de comentários destrutivos. Não conhecia a Sara mas conhecia o seu trabalho, a sua doce voz e os olhos que facilmente estariam na minha lista de "Rostos a fotografar pelo menos uma vez". O seu álbum de estreia está carregado de melodias interessantes, guitarras audíveis (ao contrário do que algumas rádios vão passando), musicalmente evoluída e em evolução, Sara não me pareceu nunca deixar-se levar pelo sucesso do pai, Tony, trilhando (a pulso e muito lentamente) o seu percurso. Não conhecia a Sara mas também sei que por esse mundo fora há Saras que morrem a caminho da escola, de um aniversário, de casa depois de uma noite com as melhores amigas a planear uma viagem ...
É um rosto, tem nome. Tinha, e terá. Chama-se Amelie, sofria de depressão e o seu corpo - ironia das ironias - apareceu no areal da Luz. Despedira-se de forma carinhosa da mãe, se calhar como há três semanas quando foi à consulta de acompanhamento com a psicóloga. Despediu-se por certo do quarto, das memórias que teria de dezasseis anos vividos num século de scroll, de stories , de hashtags, de músicas só por eles / elas decifradas. É um rosto, um (bonito) rosto, por sinal, um sorriso guardado entre quatro paredes. Quem sou eu / nós, para falar de depressão, de suicídio, de lágrimas de verdade, de comentários mais ou menos ridículos num post de uma rede social?! Provavelmente, a Amelie tinha amigos/as na mesma situação, tomava a medicação, se calhar dava valor a coisas simples como ver o pôr-do-sol. Olhando assim (à minha) distância, são injustos. Os comentários, "como é possível com esta idade ter uma depressão? Ela, era tão conhecida pelos amigos da escola! Ela era popular, tinh...
Comments
Post a Comment